Essaouira, que antigamente era chamada pelo nome português Mogador, está localizada no sudoeste de Marrocos, mais precisamente, na costa Atlântica marroquina e é conhecida como a cidade dos ventos, devido aos fortes ventos que vêm do oceano.

A cidade parece exercer um fascínio por sua autenticidade, por sua originalidade e pelo encantamento provocado pelo vento que sopra forte por entre as ruas e as vielas da Medina. O balneário está fora do roteiro turístico de massas e isso, tornando-o um ótimo destino.

Fomos de carro para Essaouira e passamos o dia nesta cidade linda que está na lista Patrimônio Mundial da UNESCO, desde 2009, devido à importância do seu conjunto histórico.

Saímos cedo de Marrakech e seguimos, pelos 176 km, até Essaouira com uma paisagem desértica e fascinante a nossa volta. Passamos por vários pastores com suas ovelhas ou seus rebanhos de cabras, casinhas isoladas e algumas cidades pequenas pela estrada.

A vida pelo interior do país parece estar parada em algum século distante, mas ao mesmo tempo ícones do presente moderno nos trás a realidade. Cerca de três horas depois chegamos ao destino, após fazermos algumas paradas pela estrada, inclusive em uma cooperativa de mulheres que produzem artigos com o óleo de Argan, o “ouro do Marrocos”.

Essaouira é considerada uma das cidades litorâneas mais agradáveis do país, devido aos extensos areais, praias desertas, dunas e o seu pitoresco centro histórico. Também é muito procurada para a prática de esportes de vela, surf, wind-surf e kite-surf, devido aos fortes ventos marinhos. É fácil alugar equipamentos para a prática desses esportes nas escolas de surf.

A fama de Essaouira vem de tempos remotos, pois tanto os cartagineses como os fenícios realizavam lá suas trocas comerciais. Eles trocavam seda e especiarias por ostras, penas e ouro africano. Já, durante o império romano, a região ficou conhecida como as “Ilhas Púrpuras”, pois dos moluscos da região era extraido o corante púrpura mais requintado, que era usado para tingir as roupas dos imperadores.

A história da cidade ganha nova importância quando as forças portuguesas começam a construir o Castelo Real de Mogador, em 1506, sob o comando de Diogo de Azambuja.

A fortificação na pequena ilha do Mogador, atualmente chamada de”La Petite Île“, tinha a função de controlar o pequeno porto e de apoiar as rotas ao longo da costa marroquina entre Safim, onde forças portuguesas estavam estabelecidas desde o final do século XV, e Agadir, que havia sido ocupada em 1504. A sua posição, no litoral, permitia que recebesse, com facilidade, suprimentos dos arquipélagos dos Açores e da Madeira.

Em 1525 o castelo foi conquistado pelos berberes que o dominaram pelos séculos seguintes e, mais tarde foi totalmente destruída para atender aos projetos de construção de Essaouira .

Atualmente, do que restou do castelo Mogador, destacam-se as muralhas, os baluartes e uma bela bateria de canhões da artilharia portuguesa. Assim como, na pequena Ilha de Morgador, ainda se pode ver parte da primitiva igreja e de algumas fortificações.

A cidade como vemos hoje, foi fundada em 1764, quando o sultão Mohammed Ben Abdallah decidiu instalar na antiga Mogador a sua base naval, transformando-a no único porto autorizado a negociar com o Ocidente. Tempos depois, uma elite de mercadores judeus passou a viver em Essaouira com um status especial de intermediários entre o sultão e as potências estrangeiras, obrigadas a instalar na cidade, um consulado.

Do antigo bairro judeu, restam ruínas abandonadas dentro da Medina que podem ser visitadas. A impressão é de se estar caminhando por um lugar deserto que foi abandonado, mas se olharmos com atenção, ainda é possível encontrar inscrições em hebraico nas paredes.

Hoje, o movimento portuário se restringe ao cais e a pesca que se mantém inalterada desde há séculos. Da mesma forma que a mistura entre povos e culturas que sempre caracterizaram a sua história cosmopolita. Essaouira continua sendo um canal de comunicação com o estrangeiro e ponto de encontro entre africanos, judeus, berberes, portugueses e franceses.

Não é a toa que Essaouira se caracteriza por ser é um verdadeiro caldeirão cultural, ponto de encontro entre as civilizações árabe, africana e europeia. Na cidade convivem duas tribos locais – os chiadma (árabes) e os haha (berberes) –, além da etnia dos gnaouas, descendentes dos escravos negros que acompanhavam as caravanas de ouro e sal vindas do Sudão. Somam-se a estes os visitantes que resolvem permanecer e não voltam para seus países.

Uma expressão clara dessa mistura cultural é a música gnaoua, que tem fortes ligações com as cerimônias do vodu e da macumba brasileira. Os seus cantos e ritmos hipnóticos já seduziram grandes nomes da música internacional e lotam a cidade durante o grande Festival de Música Gnaoua que se realiza, anualmente, em junho, atraindo, durante quatro dias de transe absoluto, milhares de espectadores.

A parte antiga da cidade fica dentro das muralhas do antigo castelo, onde a Medina, despretensiosa, guarda em suas ruas e vielas pequenos edifícios brancos pontuados pelo azul-marinho das portadas das janelas.

As ruas estreitas e angulosas tentam proteger os moradores e o comércio dos fortes e constantes ventos alísios que sopram, impiedosamente, do Atlântico.

Dentro da Medina labiríntica, os souks encantam pela diversidade, pelo perfume e pelas cores. Tem souk do que se puder imaginar: de temperos, ervas, carnes, peixes, verduras, frutas, remédios, cosméticos de argan, roupas, artefatos em madeira, em metal, tapeçaria, quadros e outros objetos de arte só para citar alguns.

O vai e vem de pessoas é frenético, são moradores fazendo suas compras, turistas, crianças curiosas e vendedores com carroças ou carrinhos de mão cheios de mercadorias passando para todos os lados.

Já falei em vários posts sobre Marrocos e Marrakech, mas é sempre bom lembrar o fato de que os vendedores e comerciantes de modo geral não gostam nada que se tire fotografia sem pedir e pagar por elas. Portanto, cuidado e seja discreto ao fazer fotos. Ouvi muito a expressão “no photo”.

Se perder dentro da Medina não é difícil, a partir do momento que se começa a explorar os labirintos de ruelas. Para se reencontrar, o melhor é pedir ajuda, mesmo que isto custe algumas moedas de Dirham.

Deixando a agitação da Medina, é hora de visitar os mercados de peixe e a lota onde chegam os barcos. Para acompanhar a chegada dos pescadores e movimento do cais é preciso chegar cedo ou no final do dia. Entretanto, não se pode deixar de ver o amontoado de barquinhos azuis que colorem o cais da cidade. Esse é o cartão postal de Essouira!

Como Essaouira é uma cidade pesqueira, a oferta de bons restaurantes de peixe e frutos do mar é grande. Nas imediações da Medina pode-se encontrar vários.

À noite os bares perto da muralha, em frente ao jardim, costumam ficar bem movimentados. Essaouira é uma cidade vibrante e famosa por sua vida noturna.

Nos anos 60 a cidade foi redescoberta e adotada pelos hippies encantados pelo lugar que parecia ter parado no tempo. Pouco depois, a “Bela Adormecida”, como ficou conhecida, por sua autenticidade anacrônica, tornou-se um local de refúgio para uma pequena elite de intelectuais, pintores, escritores, músicos, atores e realizadores cinematográficos do mundo inteiro.

Essaouira é uma das cidades que não se pode deixar de conhecer quando estiver em Marrocos.

Não deixe de ver e fazer:
Mercados/Souks
Pôr do sol nas muralhas
Medina antiga
Muralhas
Palácio Real
Skala e bastião
Canhões portugueses
Sinagoga
Porto de pesca
Praia para kitesurf
Mercado de peixe

Localização:
173 km a norte de Agadir
176 km a oeste de Marrakech
360 ​​km ao sul de Casablanca
406 km a norte de Ouarzazate

Várias empresas de turismo fazem passeios de um dia em Essaouira, a partir de Marrakech e Agadir.

Para mais informações, clique aqui.

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