Bairro que concentrará grande parte das instalações e competições dos Jogos Olímpicos de 2016, a Barra da Tijuca ganhou uma campanha que pretende transformá-la em um novo polo turístico do Rio de Janeiro.

O projeto é uma iniciativa da prefeitura, da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) e do Rio Convention & Visitors Bureau para aproveitar a exposição internacional que a Barra terá durante os Jogos e dar uso permanente aos 15 mil quartos de hotel que o bairro ganhará para o evento, inclusive de redes luxuosas como Hilton, Hyatt e Trump.

A campanha entre operadores de turismo tem como objetivo promover a Barra como um polo que, além de belas atrações naturais e uma importante infraestrutura turística, conta agora com as mais modernas estruturas esportivas da América Latina, incluindo o primeiro campo de golfe olímpico do mundo, além da Vila Olímpica e do Parque Olímpico.

O entorno do bairro, hoje com 300 mil habitantes – duas vezes a população de dez anos atrás -, oferece uma grande variedade de opções de diversão, gastronomia, cultura e comércio, além de dezenas de quilômetros de praias, lagoas e mangues, tudo isso emoldurado entre as duas maiores reservas florestais urbanas do mundo.

A Barra, que até há 50 anos era uma região praticamente desabitada, também conta com o maior centro de convenções da América Latina, uma agitada vida noturna, boates famosas, 18 casas de espetáculos e 18 shopping centers.

Se antes era uma região isolada, com praticamente duas únicas vias de acesso, a Barra hoje é totalmente conectada ao resto da cidade, com três sistemas de vias exclusivas para ônibus, uma das quais a liga de forma expressa ao Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão, e uma linha de metrô em construção.

O principal incentivador do frustrado plebiscito de 1988 para transformar o bairro em município independente, Roberto Medina, proprietário da marca Rock in Rio, colocou a Barra no mapa mundial ao torná-la sede de um dos maiores festivais mundiais de música.

“A Barra tem as condições de se transformar em um novo destino turístico dentro de um grande destino como o Rio”, declarou à Agência Efe o presidente da ABIH no Rio de Janeiro e do Rio Convention & Visitors Bureau, Alfredo Lopes.

De acordo com ele, para manter um “fluxo equilibrado e ininterrupto de boas taxas de ocupação”, é preciso promover mundialmente as atrações do bairro e lançar “uma guia, um mapa e um logotipo específico da Barra que reforce sua identidade”.

Outra estratégia é transformar a Barra em epicentro de grandes eventos corporativos, algo já garantido em 2015, pois o bairro foi escolhido para mais de 50 congressos e feiras que atraíram 800 mil participantes e receita de US$ 1 milhão.

“A Barra tem condições de concorrer com São Paulo como o maior destino de convenções do Brasil”, disse Raul Melo, sócio da primeira agência que começou a oferecer aos turistas hospedados no bairro, além dos tradicionais passeios pelo Rio, tours específicos na Barra da Tijuca.

Segundo Melo, o turista típico que fica dois dias na Barra para uma convenção e outros dois para visitar o Pão de Açúcar, o Corcovado e o Maracanã, agora pode estender sua viagem por mais dois para fazer passeios dentro do bairro.

Outra operadora que aposta no potencial de Barra é a Ecobalsas, que oferece passeios de barco na lagoa de Marapendi nos quais é possível ver os mangues da região e sua rica fauna, que inclui animais como jacarés e inúmeras aves.

“Começamos a operar há seis meses e já oferecemos 40 voos semanais”, disse o porta-voz de outra empresa também disposta a explorar o novo nicho e que aproveita o Aeroporto de Jacarepaguá para oferecer voos de helicóptero por atrações como as instalações olímpicas.

Uma dessas atrações é o Museu da Seleção Brasileira, que, com sistemas de última tecnologia, exibe os cerca de 200 troféus conquistados pela equipe verde e amarela, incluindo as cinco Copas do Mundo, assim como uniformes e lembranças dos ídolos do futebol brasileiro.

No Recreio dos Bandeirantes, bairro vizinho, outra importante atração é o Museu Casa do Pontal, que fica em um sítio de 5.000 m² e que, com 8 mil peças de 200 artistas brasileiros, possui aquela que é considerada a principal coleção de arte popular do país.

A poucos quilômetros, em Barra de Guaratiba, fica o Sítio Burle Marx, com 3.500 diferentes espécies em 365 mil metros quadrados, reúne uma das principais coleções de plantas tropicais e subtropicais do mundo.

Outras atrações do entorno da Barra são o Parque Natural da Prainha, com 166 hectares de uma floresta que vai da praia a espetaculares mirantes, um parque aquático com 42 atrações, haras que oferecem passeios a cavalo, o maior horto de palmeiras do Brasil, duas pistas de patinação no gelo, um circuito de kart e a Cidade das Artes, nova sede da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Os visitantes também podem conhecer a sede do Alambique Maxicana, onde são produzidos 32 mil litros por mês de cachaça, caipirinha e outras bebidas, que também são exportadas a países como Inglaterra, Austrália e China.

 

Fonte: Carlos A. Moreno – UOL Economia

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