O artista francês, Jean-Baptiste Debret (1768-1848), veio para o Rio de Janeiro para criar a Escola de Belas Artes e, nos 15 anos em que viveu aqui (1816 a 1831), retratou em aquarelas a então capital do Império com seu lado urbano e com marcos arquitetônicos reconhecíveis até hoje. Na celebração dos 450 anos da cidade o Centro Cultural dos Correios lança luz sobre este trecho da história ao expor 120 aquarelas assinadas por Debret, pertencentes ao acervo dos Museus Castro Maya.

A mostra “O Rio de Janeiro de Debret” dividida em cinco núcleos, que, como explica a curadora Anna Paola Baptista, enfocam paisagem carioca, natureza, vida cotidiana, costumes e tipos populares fica em cartaz no Centro Cultural dos Correios de 04 de março a 03 de maio de 2015.

Um dos participantes da Missão Artística Francesa de 1816, Debret aportou na cidade quando esta tinha 251 anos e desenvolveu um trabalho prodigioso de pesquisa, observação e documentação, entre diários de viagem e teorias de arte, sociologia e história.

Entre as imagens em destaque na exposição, estão “Gigante deitado” (1816), “Cascata grande da Tijuca” (1816/1820), “Vendedor de flores e de fatias de coco” (1829), “Café torrado” (1826), “Barbeiros ambulantes” (1826) e “Cena urbana” (sem data).

Outra obra conhecida de Debret é a “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil”, lançada após seu retorno para a França.

Por meio de suas obras podemos ver as origens de nossas desigualdades e contradições. Debret foi cronista de um período de grandes transformações na cidade, realizadas pela mão de obra escrava.

O mar abre a mostra, em peças em que o artista ilustra a vida perto do cais. Na segunda parte, estão reunidos trabalhos que abordam marcos como Largo da Carioca e Mosteiro de São Bento, algumas ruas anônimas e o contraste entre o que fazia parte e o que estava fora do perímetro urbano, como a Cascatinha da Tijuca.

Como testemunha de fatos históricos, Debret repercutiu acontecimentos políticos como a aclamação de Dom Pedro, em exibição no terceiro módulo. Em seguida, peças mostram o carnaval, funerais e castigos de escravos.

A diferença entre a população negra nas ruas e branca escondida do sol em suas casas encerra o projeto.

Debret e sua relação com o Rio de Janeiro 

Dos oitenta anos de vida do pintor francês Jean-Baptiste Debret, 15 deles foram passados no Rio de Janeiro. Aqui, o estrangeiro acabou por tornar-se um resi¬dente, amante da cidade que retratou incansavelmente.

Debret chegou à nova sede da Corte Portuguesa em 1816 juntamente com vários artistas franceses- no movimento que ficou conhecido como “Missão Artística Francesa”- para fundar a Academia Imperial de Belas Artes que deveria promover o ensino das artes e ofícios no Brasil. Logo se engajou nas tarefas de pintor da Corte praticando não apenas a pintura de cavalete, mas também a concepção e produção de ornamentações variadas para festejos e cenários.

Porém, a fundação da Academia e, consequentemente, o encargo de professor de pintura histórica só se daria em novembro de 1826. À espera deste acontecimento, e mesmo depois dele, Debret dedicou-se à produção de centenas de aquarelas que viriam mais tarde ser a base de sua grande obra impressa: os três volumes do “Viagem pitoresca e histórica ao Brasil”, editados na França entre 1834 e 1839.

As aquarelas do Rio demonstram, até mesmo em sua composição, a pos¬tura integrada do artista ao seu objeto. É flagrante a sensação de intimidade e proximidade com a imagem retratada que emana de suas aquarelas da cidade, quase como se o ponto de vista de observação partisse do interior da cena. Apesar de dominadas pela figura humana, geralmente em primeiro plano, as obras apresentam um elenco enciclopédico de características da arquitetura, interiores, vestimentas, usos e costumes, lazer, festejos populares ou religiosos.

O Centro Cultural dos Correios

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro está localizado na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no centro da cidade. Integra o Corredor Cultural, tendo como vizinhos a Casa França Brasil, ao lado, e o Centro Cultural do Banco do Brasil, defronte.

Centro Cultural dos Correios

Visitação:
Centro Cultural Correios
Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro
Corredor Cultural
20010-976 – Rio de Janeiro – RJ
Telefone: 0XX 21 2253-1580
Fax: 0XX 21 2253-1545
E-mail:centroculturalrj
@correios.com.br

Funcionamento:
O Centro Cultural Correios recebe visitantes de terça-feira a domingo, das 12 às 19h
Entrada franca.

3 Responses

  1. Aloysio Calais

    É, muito importante, ter o Centro Cultural Correio. História da Cultura, da Cidade do Rio de Janeiro, é marco Histórico, Nacional, não havendo, centro cultural, não há história, sem história não existe cultura.

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    • Katia Braga
      Katia Braga

      Olá Aloysio,
      Obrigada pelo comentário tão oportuno!
      Concordo com você. Sou assídua frequentadora dos Centros Culturais.
      Abs,

      Kátia

      Responder

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