Você conhece o “Pantanal Carioca”? E o complexo lagunar que abrange a Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá?

A maioria das pessoas, visitantes e moradores, sabem que a cidade do Rio de Janeiro tem beleza única no mundo com paisagens fabulosas onde as montanhas e o litoral recortado são os grandes atrativos.

Entretanto, na zona oeste da cidade, um enorme complexo de lagoas oferece uma paisagem ainda pouco conhecida entre moradores e visitantes que vêm ao Rio.

O complexo lagunar da Barra da Tijuca é formado por três lagoas principais: Tijuca, Jacarepaguá e Marapendi, e a de Camorim, situada entre as lagoas da Tijuca e de Jacarepaguá. Todas se interligam por canais e estão conectadas ao mar pelo canal da Barra da Tijuca ou canal da Joatinga. As grandes lagoas marcam a geografia do bairro, que se desenvolveu em torno e ao redor das mesmas.

Mapa do complexo lagunar da Barra da Tijuca

Mapa do complexo lagunar da Barra da Tijuca

“Pantanal Carioca”

É nesse ecossistema que encontramos o “Pantanal Carioca” que, segundo o oceanógrafo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e vice-presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca (CCBT), David Zee, a comparação com o bioma mato-grossense é pertinente. – Pantanal, geralmente, é uma área baixa que, de tempos em tempos, sofre alagamento. O mato-grossense passa por isso no período de cheia. O carioca tem as mesmas características, mas também recebe de águas de maré da Lagoa de Marapendi, que varia entre 20 e 30 centímetros – afirma David Zee.

Parque Natural Municipal de Marapendi

Parque Natural Municipal de Marapendi

Quanto à vegetação, segundo o oceanógrafo, a única diferença é que, no Pantanal do Mato Grosso, não há mangue, enquanto no Carioca, o mangue está presente. Enquanto a vegetação do Pantanal mato-grossense resiste aos alagamentos, a das lagoas da Barra da Tijuca suporta alagamentos e a salinidade.

Manguezais no entorno das lagoas

Manguezais no entorno das lagoas

Tirando esses pequenos detalhes, as semelhanças são grandes, a começar pela fauna com capivaras, jacarés e garças.

Passeio no “Pantanal Carioca”

Tivemos o prazer de fazer o passeio, que é operado pela Barra Water Shuttle, em companhia do proprietário da empresa, Rômulo Britto.  O empresário que viveu, por mais de dez anos, no Havaí trabalhando com turismo usou sua expertise para criar e desenvolver o passeio que oferece aos visitantes uma experiência única e totalmente diferenciada dos roteiros turísticos do Rio de Janeiro.

A Barra Water Shuttle oferece três saídas diárias de passeio

A Barra Water Shuttle oferece três saídas diárias de passeio

Em quase todo o percurso é possível ver a Pedra da Gávea

Em quase todo o percurso é possível ver a Pedra da Gávea

– Observando as balsas que transportam os moradores dos condomínios para a praia, percebi que poderia criar um passeio para quem fosse de fora, pois a região é de grande beleza e não poderia ficar restrita aos moradores – conta Rômulo, que viu, aos poucos, sua idealização ser chamada de passeio no “Pantanal Carioca” pelos próprios visitantes, que são, em grande maioria, estrangeiros.

Rômulo Britto, proprietário da BWS, criou e desenvolveu o passeio pelo "Pantanal Carioca".

Rômulo Britto, proprietário da BWS, criou e desenvolveu o passeio pelo “Pantanal Carioca”.

Pequenas embarcações transportam os moradores de um lado ao outro dos canais e das lagoas.

Pequenas embarcações transportam os moradores de um lado ao outro dos canais e das lagoas.

O passeio que dura, aproximadamente três horas, percorre as lagoas da Tijuca e de Marapendi, permitindo que se conheça uma verdadeira preciosidade encoberta por condomínios de apartamentos.

Mapa do roteiro do passeio

Mapa do roteiro do passeio

Grandes prédios de apartamentos estão entre o mar e as lagoas

Grandes prédios de apartamentos estão entre o mar e as lagoas

Durante o passeio descobre-se o que se esconde atrás dos prédios.

Durante o passeio descobre-se o que se esconde atrás dos condomínios e shoppings da região.

Nós moramos no Recreio dos Bandeirantes, passamos diariamente pelas lagoas (por cima, pelos viadutos ou ao lado, pelas ruas) e, no entanto, não tínhamos ideia de como é lindo o olhar de dentro delas para fora – a vegetação exuberante, o contraste com a área urbana, os manguezais, as ilhas completamente e a fauna que só é possível ver ali.

Vista da ponte Lúcio Costa

Vista da ponte Lúcio Costa

Roupas leves, chapéu, óculos e máquina fotográfica, tudo que se precisa durante o passeio!

Roupas leves, chapéu, óculos e máquina fotográfica, tudo que se precisa durante o passeio!

Praiazinhas podem ser vistas e, com sorte, algum animal tomando sol.

Praiazinhas podem ser vistas e, com sorte, algum animal tomando sol.

A mata fechada e totalmente preservada nas ilhas dentro da Área de Proteção Ambienta

A mata fechada e totalmente preservada nas ilhas Área de Proteção Ambienta

Como nós, muitas pessoas vão se maravilhar! Brasileiros e estrangeiros se surpreenderão com uma região de grande beleza e diversidade que, somente agora, começa a ser divulgada e mostra de perto uma área que só é vista do alto da Pedra da Gávea, da Pedra Bonita ou de helicóptero.

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O passeio é realizado diariamente em três horários (10h, 13h e 16h) e, em cada um deles ganha um perfil diferente: Pela manhã, a luminosidade realça as cores; à tarde, pode ser conjugado com almoço em um dos restaurantes na ilha da Gigóia e, no final do dia, o espetáculo do pôr do sol enriquece ainda mais o passeio. Durante o horário de verão, os horários se alteram para 11h, 14h e 17h.

O grupo era de brasileiros e ingleses

O grupo era de brasileiros e ingleses

A embarcação é coberta e completamente aberta, proporcionando uma visão espetacular do panorama

A embarcação é coberta e completamente aberta, proporcionando uma visão espetacular do panorama

A embarcação, que lembra um catamarã, costuma sair da doca que fica na Praça Professor Souza Araújo, no Jardim Oceânico, mas é possível embarcar em muitas outras docas que ficam ao longo do trajeto (condomínios e hotéis) sem comprometer o percurso que é de 25 quilômetros e circular. Mesmo quem embarca dois pontos à frente de onde partimos o passageiro faz as três horas de viagem, porque descerá exatamente onde embarcou – esclarece Rômulo. A única recomendação do empresário é a pontualidade no horário agendado para cada local de embarque, afim de não comprometer o passeio.

Após o embarque na doca da Pça Professor Souzaa Araújo, a balsa segue pelo canal de Marapendi em direção à lagoa de mesmo nome.

Após o embarque na doca da Pça Professor Souzaa Araújo, a balsa segue pelo canal de Marapendi em direção à lagoa de mesmo nome.

Nós embarcamos na Praça Prof. Souza Araújo, onde há um estacionamento informal em um terreno de terra e arborizado, junto à entrada da doca. Não é cobrado e o carro fica na sombra. Uma boa referência para não errar o local é o Hortifruti do Jardim Oceânico, na Barra, que fica em frente. Se preferir, pode estacionar no estacionamento coberto do Hortifruti, mas este é cobrado para quem não fizer compras!

O trajeto segue em direção ao Parque Natural Municipal de Marapende, de onde retorna seguindo para a Lagoa da Tijuca.

O trajeto segue em direção ao Parque Natural Municipal de Marapendi, de onde retorna seguindo para a Lagoa da Tijuca.

Agendamos nosso passeio para às 13:00, mas por recomendação do Rômulo, chegamos com antecedência de 15 minutos, pois dependendo de onde ele teria que pegar outros passageiros, poderia sair com alguns minutos de antecedência também e, partimos exatamente às 12:55.

É recomendável agendar o passeio com antecedência, principalmente nos finais de semana e feriados, pois nessas ocasiões grupos costumam lotar a balsa para passeios de empresas ou eventos particulares.

A balsa tem capacidade para 14 pessoas mais o condutor, é coberta e tem bancos laterais e frontais, som ambiente e wi-fi. A bordo, são servidos água e mate gelados, além de aperitivos salgados inclusos no preço (100 reais adultos e 90 reais crianças de 6 a 12 anos). Cerveja é vendida a 5 reais.

Como a balsa é toda aberta, a visão é perfeita para a contemplação e fotografias.

Ao passar pelos condomínios, é possível perceber um movimento maior de balsas que atravessam os moradores de um lado para o outro e, além disso, muitas pessoas usam os canais para irem de um lugar ao outro, uma vez que as lagoas são conectadas e têm muitos decks ao longo dos canais. Muitos moradores, como o próprio Rômulo, vão à praia, ao shopping e a outros lugares como restaurantes, em seus próprios barcos ou em táxis boat e é muito interessante conhecer essa dinâmica que não se tem ideia até realizar o passeio.

Trajeto

O passeio se inicia em direção à lagoa de Marapendi (12 quilômetros), onde se navega em uma parte do Parque Natural Municipal de Marapendi, dentro da de Área de Proteção Ambienta (APA) destinada à preservação da vegetação de restinga e manguezais.

O trajeto segue paralelamente à praia

O trajeto segue paralelamente à praia

A partir daí, a balsa retorna em direção à lagoa da Tijuca, onde se pode observar o contraste da natureza com a grande concentração populacional que habita as ilhas dessa lagoa. São dez ilhas ao todo, mas a maior e mais movimentada é a da Gigoia, onde moram mais de 10 mil pessoas, tem pousadas e hostels, além de vários restaurantes que lotam nos finais de semana, alguns só recebendo com reserva, como é o caso do Laguna. A movimentação de barcos, Jet Sky, táxis boat e chalanas (pequenas balsas) é intensa nessa região, principalmente no entorno da Gigóia.

Maciço da Pedra Branca visto da Lagoa de Marapendi

Maciço da Pedra Branca visto da Lagoa de Marapendi

O retorno tem a vista da Barra e do maciço da Tijuca com a Pedra da Gávea, Pedra Bonita e Pico da Tijuca

O retorno tem a vista da Barra e do maciço da Tijuca com a Pedra da Gávea, Pedra Bonita e Pico da Tijuca

Passa-se, novamente, sob a ponte Lúcio Costa, a principal ligação entre os dois lados do bairro.

Passa-se, novamente, sob a ponte Lúcio Costa

Avenida das Américas sobre o canal

É intensa a movimentação de embarcações junto às ilhas da Lagoa da Tijuca

É intensa a movimentação de embarcações junto às ilhas da Lagoa da Tijuca

A Pedra da Gávea é uma vista constante durante o passeio, mas em direção à lagoa da Tijuca, a vista é maravilhosa, podendo ver também a Pedra Bonita e o Pico da Tijuca.

O ponto alto do passeio é a navegação pela área de desova dos jacarés-de-papo-amarelo, em uma ilha com mangue bem preservado próxima à Gigoia. É possível ver uma boa concentração dos animais que permanecem ali até atingirem um metro e meio, aproximadamente e, depois adentram as lagoas. Capivaras e aves também são avistados com facilidade.

A região é um santuário para a desova dos jacarés-de-papo-amarelo

A região é um santuário para a desova dos jacarés-de-papo-amarelo

O local oferece uma das melhores vistas da Pedra Bonita (esquerda) e da Pedra da Gávea (direita) que se pode ter!

Durante o passeio é possível perceber que nem tudo é uma maravilha, pois as lagoas estão gritando por um socorro que parece não querer vir! Ao longo do trajeto, excetuando a APA, vê-se muito lixo, águas poluídas, muitos dutos para jogar esgoto nas lagoas e até uma favela.

A presença da gigoga, planta aquática que se desenvolve no meio ambiente contaminado é um triste indicativo. Entretanto, ela é conhecida por despoluir as águas, já que suas raízes filtram a matéria orgânica. Ela também auxilia na alimentação e reprodução de diversas espécies aquáticas. Suas raízes são utilizadas como alimento, proteção para pequenos peixes e serve como locais de desova.

As gigogas são vegetais de água doce ou salobra. Como elas proliferam muito nas águas poluídas por esgotos domésticos, sua remoção periódica é necessária para que não ocupe completamente a superfície da água.

As gigogas são vegetais de água doce ou salobra. Como elas proliferam muito nas águas poluídas por esgotos domésticos, sua remoção periódica é necessária para que não ocupe completamente a superfície da água.

A flor da gigoga normalmente aparece no final do verão, ela é grande e arroxeada, com macula amarela em uma das pétalas.

A flor da gigoga normalmente aparece no final do verão, ela é grande e arroxeada, com macula amarela em uma das pétalas.

É triste ver essa realidade que choca aos olhos e nos chama atenção para cobrar cada vez mais das autoridades providências e fiscalização. Mas, enquanto o socorro legal não chega, nós temos que fazer a nossa parte reprimindo, chamando a atenção quando vemos irregularidades de qualquer natureza, e recolhendo, dentro do possível, o lixo ao redor. Esse é o lema de Rômulo Britto, entusiasta e defensor do meio ambiente, que fez dele seu trabalho e apresenta para as pessoas um Rio que vai muito além das praias, das florestas, do Cristo Redentor e do Pão de Açúcar.

Informações e Reservas

Telefone: +55 (21) 3942-0209 / (21) 99925-2547 (Rômulo Britto)

E-mail: info@bws.tur.br

Preço: R$120,00 (adulto) e R$90,00 (6 a 12 anos)

Horário: 10h, 13h e 16h; durante o horário de verão – 11h, 14h e 17h

Duração: De 2:45min a 3 horas

Roteiro: Canal de Marapendi, Lagoa de Marapendi, Parque Natural Municipal de Marapendi, Canal de Marapendi, Lagoa da Tijuca, ilhas da Lagoa de Marapendi e Canal de Marapendi.

Serviço: Água, mate e aperitivos salgados variados (cerveja a 5 reais)

Site: barrawatershuttle

 

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2 Responses

    • Katia Braga
      Katia Braga

      Oi Francisco, acredito que haja desconto para grupo sim. O melhor é tirar essas dúvidas diretamente no site deles, onde há, inclusive, o telefone!

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